Sargento Lago é ex-policial da ROTA e jornalista diplomado, Lago também é cantor e compositor de músicas que retratam a rotina policial. Na reserva da PMESP desde 2009, acabou de lançar o livro Papa Mike – A realidade do policial militar, após visitar todos as corporações do Brasil.

SITE: http://www.sargentolago.com.br

O desejo de viajar mundo afora me dominava desde os meus vinte anos, talvez por influência de alguns amigos que já o fizera. Confesso que tenho orgulho da façanha deles. Mas como o faria sem que tivesse pais que patrocinasse, como os deles?

Meus cinquenta anos vieram junto com a inatividade na Polícia Militar. Aguardei esse momento para viajar com a minha esposa, mas com a aposentadoria também veio o divórcio. Então me restou pegar a mochila e o violão e cair no mundo.

Num primeiro momento, realizei o antigo sonho de conhecer todas as PMs do Brasil, que originou o recém lançado livro Papa Mike – A realidade do policial militar, onde relato os detalhes dessa viagem por todo o país. Do Oiapoque ao Chuí, literalmente. Os meios de transporte, hospedagens, onde e o que comi, culturas regionais, além, é claro, da experiência vivida em cada quartel. Depois a aventura foi maior. Decidi que sairia do país.

A princípio, conheceria apenas a América do Sul; porém, ao chegar à Venezuela, ganhei um aporte financeiro de uma ação judicial vencida e de lá segui por toda América Central até chegar ao México.

Toda viagem de ida foi por via terrestre. Isso mesmo. Fui de São Paulo ao México de busão.

As hospedagens foram em hostels, onde os dormitórios são compartilhados e pagamos apenas pela cama, permitindo que o preço seja muito inferior ao hotel tradicional.

Saí do Brasil com um o portunhol meia-boca e cinco semanas depois estava dando entrevista para o programa de TV da polícia boliviana, falando espanhol e sendo compreendido por todos.

Foram três meses de viagem com custo muito baixo que me proporcionaram uma das experiências mais incríveis que tive na vida.

A motivação para escrever esse artigo é que os policiais aposentam, em média, aos cinquenta anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida dos brasileiros – que nos anos 1960 era de 52,6 anos – em 2010 foi avaliada em 73,8 anos. A projeção para 2020 é de 76,1 anos.

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Depois de passar toda a carreira labutando com o que há de mais amargo na sociedade, é conhecida a falta de adaptação do policial à inatividade, por vezes dominado por uma sensação de impotência de não mais contribuir para a minoração  dos problemas dos seus semelhantes, não mais promover a justiça. Assim, num “mea culpa” sem sentido, imola-se não somente por intermédio da bebida, mas também pela negligência à hábitos saudáveis.

Ao compartilhar essa experiência que tanto acrescentou a minha vida, quero patentear que nada é  mais justo que o veterano desfrute das delícias que a vida tem a oferecer. E pode ter a certeza de que a mochila nas costas nada tem do fardo que ele carregou durante boa parte da vida, sem ser reconhecido.

Experimente, companheiro. Saiba que a sua experiência de vida ainda é capaz de uma grandiosa semeadura.  Longe de onde seu coração plantou muitos o reconhecerão como um homem que ainda muito tem a oferecer, inclusive você.

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Sargento Lago (SP)
Ex-policial da ROTA e jornalista diplomado, Lago também é cantor e compositor de músicas que retratam a rotina policial. Na reserva da PMESP desde 2009, acabou de lançar o livro Papa Mike – A realidade do policial militar, após visitar todos as corporações do Brasil.

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