Segurança passa no primeiro teste de fogo da Olimpíada

334
Cerca de dez mil homens, com fuzis e veículos blindados, tomaram as ruas do Rio no dia da abertura oficial dos Jogos
Cerca de dez mil homens, com fuzis e veículos blindados, tomaram as ruas do Rio no dia da abertura oficial dos Jogos

RIO – O Rio passou nesta sexta-feira pelo seu primeiro teste de fogo. Cerca de dez mil homens das forças de segurança dos governos federal e do estado foram às ruas para garantir a tranquilidade da cerimônia de abertura dos Jogos de 2016. No Centro, onde o presidente interino Michel Temer recepcionou 40 chefes de Estado e de governo, no Palácio do Itamaraty, e no entorno do Maracanã, blindados foram usados. O policiamento foi reforçado na Avenida Presidente Vargas e em ruas próximas ao estádio. Atiradores de elite tomaram posição no alto de prédios, e homens armados com fuzis cuidaram a pé do policiamento. Helicópteros acompanharam do alto toda a movimentação.

— Nossa avaliação foi boa. Passamos no teste — afirmou um dos responsáveis pela segurança do evento esportivo.

MAIOR ESQUEMA DA HISTÓRIA

Além da recepção no Itamaraty, a segurança foi posta à prova em dois outros endereços. No Cristo Redentor, o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, recebeu um grupo de ministros estrangeiros. A vigilância foi reforçada e ficou sob a responsabilidade de Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Já a segurança pública do Rio cuidou da tranquilidade de cerca de 500 autoridades que participaram de um coquetel na Assembleia Legislativa (Alerj). No local, foram recepcionados ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), senadores e deputados federais e estaduais, convidados pelo Comitê Rio 2016.

Até o fim dos Jogos Olímpicos e Paralimpicos, as forças de segurança vão mobilizar mais de 85 mil homens, no maior esquema já montado no país para um grande evento. Serão 47 mil homens das forças de segurança (integrantes das polícias Civil, Militar e Federal, da Força Nacional e da Defesa Civil) e 38 mil das Forças Armadas.

Até a última quarta-feira, os responsáveis pela segurança do evento tentaram vetar o coquetel na Assembleia Legislativa, depois de avaliarem que havia risco de ocorrerem manifestações violentas. Houve ontem protestos no Centro e na Tijuca, mas sem grandes transtornos. A Secretaria de Segurança já usou ontem e vai mobilizar novamente o Batalhão de Grandes Eventos, além de uma tropa especial para controle de distúrbios civis, já que uma análise de risco mostra que é grande o potencial de protestos durante a Olimpíada.

AGENTES ANTITERRO A POSTOS

Também estão sendo usados, pela primeira vez no país, sob supervisão do Ministério da Justiça, agentes de países com tradição no enfrentamento do terrorismo em ruas, no interior de arenas e na proximidade de delegações. A medida leva em conta o novo cenário mundial provocado pela ameaça real do Estado Islâmico. Desde 2011, agentes americanos monitoram aeroportos e fronteiras do Brasil.

O Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo (CCPCT), do Ministério da Defesa, trouxe para o Rio cerca de dois mil agentes antiterror, 400 deles altamente especializados. Há previsão de operação contraterrorismo.

O delegado federal Andrei Passos Rodrigues, secretário extraordinário de Grandes Eventos, disse que todos os preparativos feitos levaram em conta o pior dos cenários e que o policiamento vai estar concentrado nas rotas exclusivas para o deslocamento dos veículos da família olímpica — atletas, dirigentes e árbitros.

DEIXE UMA RESPOSTA