Cada brasileiro é um técnico de futebol, costuma-se afirmar, ainda mais quando se trata de Seleção Brasileira. Tem sua escalação e sabe quando um time ou técnico vai mal. Infelizmente na segurança pública não tem sido diferente.

Todo cidadão em geral sabe perfeitamente qual a fórmula de um trabalho eficiente na segurança pública: mais prisões de criminosos e mais policiais nas ruas. Até é comum encontrar policiais que defendem essa fórmula.

O problema da criminalidade é complexo, é efeito de inúmeras causas, e como tal não pode ser enfrentado com respostas simples e limitadas a mais policiais e mais prisões de criminosos, que um dia serão soltos e em geral piores do que quando entraram.

A ciência já provou há tempos que as pessoas não praticam crimes por uma série de razões. E a polícia e a prisão estão longe de ser as principais. Basta o leitor pensar em que medida a polícia ou a prisão contribuíram para que não se tornasse um criminoso, para que não furtasse, roubasse, matasse, etc.

Não há caminho para a diminuição da criminalidade que não passe por integração das diversas forças, que de maneira direta ou indireta interferem nas condicionantes da criminalidade.

Não se quer dizer que a polícia não seja importante, talvez seu surgimento tenha sido uma das principais conquistas da modernidade. Da mesma forma a prisão, que permitiu em grande medida o fim das infames penas corporais na grande maioria dos países.

Mas só se enfrenta um fenômeno de causas tão complexas com rigor científico e ações diversas por parte da sociedade e dos diversos níveis de governo – em especial o local –, tais como educação, cultura, urbanização, assistência social, sistema prisional, justiça, polícia, imprensa, sociedade civil etc.

Essa lógica já se segue na educação e saúde por seu conselhos municipais, esforço multidisciplinar que raramente tem se visto nas cidades brasileiras, com existências raras de conselhos municiais de segurança pública.

Quem duvidar dessa receita procure saber um pouco mais do sucesso alcançado por Nova York (EUA), Bogotá e Cali (Colômbia), Diadema e Jardim Ângela (São Paulo, Brasil), dentre outros.

As Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro, e os problemas que hoje enfrentam, parecem também confirmar a necessidade imperiosa desse trabalho multidisciplinar, que parece tão óbvio, mas que raros são os que o seguem, ou quando o seguem enfrentam tremenda resistência por “aqueles entendidos em futebol”.

Coronel Martinez (PMSC)
Coronel da Polícia Militar de Santa Catarina. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (1993) com pós em Direito Penal e graduação em Curso de Formação de Oficiais - Polícia Militar do Estado de Santa Catarina (1987).É especialista em Direito Penal (2000), Administração de Segurança Pública (2007) e Gestão Estratégica da Segurança Pública (2012). Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Preservação da Ordem Pública, atuando principalmente nos seguintes temas: polícia, policiamento, ciclo completo de polícia, estudo comparado de polícia, sociologia urbana, violência e criminalidade. É membro da Associação Internacional de Chefes de Polícia - IACP. Foi Chefe da Terceira Seção de Estado-Maior da Polícia Militar de Santa Catarina (Planejamento e Operações) e Instrutor e Coordenador de cursos para a lavratura de Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCO) pelas Polícia Militares. Foi comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar, cuja sede é a cidade de Balneário Camboriú, SC, Brasil, nos anos de 2013 e 2014. Atualmente é mestrando do Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas na Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here